Não apenas um adeus
O dia nunca foi tão escuro como naquele em que ela me disse adeus. Eu não percebi, pela sua voz, que não era um adeus comum, como nos dizíamos com certa freqüência. Era um adeus carregado, tenso e triste. Extremamente cansado.
Na hora não notei esses detalhes. Na hora, era apenas um adeus. Só depois de receber a notícia que os detalhes se tornaram nítidos. Ela estava triste, como sempre esteve triste. Ela estava doente, como sempre esteve doente. Ela estava desiludida, como sempre esteve desiludida. Era, pareceu, apenas mais um adeus.
Engano meu. Horas depois me deram a notícia. Luana havia se jogado. Nove andares até o encontro com o chão. Nenhum bilhete encontrado, ninguém a culpar, nada para esclarecer. Não justificou, não culpou e nem pediu adeus. Mas, em minha memória, ainda hoje, permanece aquele triste, e último, adeus.


3 Comments:
Pois é, não é nada de mais isso aqui, mas ao menos satisfaz sua ânsia por ser amado, Thiago.
William Oliveira
Têm coisas que são mesmo difíceis de se enxergar á primeira vista. Ou somos mesmo muito egoístas...
Ficou muito bom...considero vc um grande escritor/jornalista...gostaria que vc me ajudasse no meu blog...se vc ler algumas coisas percebera uma certa Influência...abraços!
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