Papo de Mulher
Machistamente falando, Ana Ferreira, em seu livro Amadora, escreve como um homem. Essa é a constatação que qualquer leitor provido de um mínimo de conhecimento em literatura erótica chegará. Não afirmo que ela escreve como homem simplesmente porque escreve bem, mesmo porque muitas mulheres escrevem bem - e nesse sentido ela seria apenas mais uma.O fato é que dentro de um estilo literário dominado por homens, Ana Ferreira se destaca por colocar no papel o que muitos homens querem ouvir e muitas mulheres não têm coragem para fazer. Liberta de qualquer tipo de autocensura, ela narra detalhadamente as peripécias sexuais de Ângela, a protagonista altamente sexuada deste livro.
Amadora pode parecer um amontoado de contos desconexos, mas todos têm uma ligação. E Ângela é insaciável. Relaciona-se sexualmente com um coroa que a aborda durante o caminho da escola no dia de uma suposta prova de geografia, com o irmão de um namorado, com uma garota, participa de um ménage a tróis, transa com três na mesma noite para tentar esquecer um quarto homem, e até mesmo um caso de incesto é praticado.
Ana Ferreira escreveu um livro de leitura leve, rápida e envolvente que transborda sexo em sua narrativa. Só resta você, leitor, se deliciar com essas páginas e depois torcer para cruzar com uma Ângela em sua vida. E agradecer aos céus.


1 Comments:
???
esse livro foi uma decepção para mim. não concordo com o comentário de que ela escreva como um homem, mas, sim, para um homem. heterossexual. padrão.
todos os anagramas para clichê caberiam nessas páginas. o livro é realmente leve, mas não sutil. leve por ser uma escrita pobre que não consegue expressar nada além do óbvio ululante das narrativas sexuais.
escrever erótico é dífícil (eu não sei, pelo menos), vale um aceno de *jóia, colega* para ela por tentar, se eu estiver em um dia de bom humor.
mas em dias normais, vale um socão na cara dela, que perpetua a idéia de que sexualidade feminina é falocentrica, que bissexualidade é variação da rotina e não fez nada além do esperado de uma boa mulherzinha que quer exitar o seu (pseudo) parceiro.
sabe, eu nem treparia com ela. não por esse livro.
juliana
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