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Do Fundo da Gaveta

Histórias fictícias sobre pessoas incomuns

Quinta-feira, Agosto 11

Um livro para ser lido com pipocas

Um livro não é apenas conteúdo. Concordo que o conteúdo é o mais importante, óbvio. Mas é ótima a sensação de pegar um livro que se destaca pela beleza exterior numa estante lotada de uma livraria, lê-lo e aprová-lo. Quantos livros você já não pegou e descartou antes mesmo de uma leitura atenta da sinopse graças à feiúra da capa? É por isso que um livro deve ter uma arte interessante e ser bem diagramado – para dar forma e convidar até o mais desatento para um bom conteúdo.

Foi pela sua beleza estética que O Caderno de Cinema de Marina W. chamou minha atenção. Difícil recusar pegá-lo quando nos deparamos com ele na estante. Um livro grande, robusto e bonito, no meio de muitos outros feios e pouco convidativos que purulam pelas livrarias.

Marina W. pega o leitor pela mão, senta o sujeito à mesa de uma cafeteria, pede um café e conversa gostoso sobre cinema. Fala com desenvoltura, com segurança e, o mais importante de tudo, sem subir nas tamancas da autopiedade intelectual acadêmica. Isto é, ela fala de cinema como se falasse sobre a coisa mais simples do mundo, desembaraçadamente, como deve ser. Tira esse espectro de que só quem estudou por anos a fio pode falar ou escrever sobre cinema enquanto nós, meros espectadores, ficamos sob os efeitos corrosivos das críticas cabeças de críticos sem cabeça. Ou ainda, para aproveitar a deixa, como escreveu Sergio Faria na orelha, "é um livro sobre cinema que não foi escrito em cinemês”.

Em seu Caderno de Cinema, Marina W. não faz sinopses e muito menos críticas. Ela escreve sobre os filmes que gostou e também dos que não gostou. É aí que fica visível a diferença entre ela e os críticos que pipocam besteiras e preconceitos estéticos pelas páginas de revistas e jornais. Marina é sensível. Impossível não notar tal qualidade enquanto nos deliciamos com as páginas de seu Caderno. Mesmo quando o filme não a agrada, ela nos dá os motivos e, geralmente, descreve alguma qualidade no mesmo. Na verdade ela nos mostra que qualquer filme (ou a maioria deles) tem suas qualidades, seja uma atuação, a fotografia ou o roteiro. Portanto, se ela não gostou de um filme, isso não quer dizer que você não possa gostar – parece, inclusive, que ela quer que você goste, pois ela nos mostra todas as possibilidades para que isso aconteça. É derrubada a pedante arrogância que grande parte dos críticos tem. Mas eu já não falei que a Marina não faz crítica?

Pois bem, voltemos ao que interessa.

Sabe aquele filme clássico? Tem no livro. Filme nacional? Idem. Pornochanchada? Algumas. Fatos inusitados, outros nem tanto e de bastidores também tem. O Top 100 de todos os tempos está lá. No final, de grande ajuda, ela ainda faz uma listinha para locadora. Praticamente um guia dos bons.

Às vezes tem-se a impressão de que não estamos lendo, mas vendo, assistindo. Isso é explicado pelo simples fato do livro ser falado, conversado – lembra quando disse que Marina senta com o sujeito numa cafeteria e conversa sobre cinema? Pois é isso. No final das contas você só tem uma opção. Pegar as pipocas e ver este filme... quero dizer, ler este livro.

1 Comments:

At Agosto 14, 2005 12:25 AM, Blogger Julio Cesar Corrêa said...

Interessante!
Parabens
Julio

 

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