Ai de ti, leitor!
Em seu livro mais recente, José Arbex Jr. apresenta de forma contundente as formas em que a grande mídia está diretamente comprometida com os interesses da classe dominante. O Jornalismo Canalha, lançado pela editora Casa Amarela, apresenta uma visão ainda mais radical/parcial de seu autor, que já trabalhou para alguns dos veículos que neste livro são metralhados.José Arbex Jr. é atualmente editor especial da revista Caros Amigos, editor-chefe do jornal Brasil de Fato e editor-geral do boletim Mundo – geografia e política internacional. Já foi correspondente da Folha de São Paulo, cobrindo eventos importantes como, por exemplo, a guerra civil da Nicarágua(1986) e a Guerra do Golfo(1991). Consta também em seu currículo entrevista exclusivas, dentre elas com Mikhail Gorbatchov, Yasser Arafat, Noam Chomsky, Florestan Fernandes, Celso Furtado e outros chefes de Estado, ativistas, militantes e intelectuais.
No livro, tem-se um tipo de jornalismo combatente, praticamente um manifesto contra o jornalismo conduzido nos principais jornais e grande imprensa em geral. Combate este praticado por dissidentes dos grupos contra a ditadura militar que ainda hoje vêem com olhos rebeldes ranços ditatoriais e fascistas na grande mídia.
São vítimas da crítica de Arbex a mídia internacional e conseqüentemente a brasileira, por apenas reproduzir visões poluídas de preconceitos dos jornalistas a serviço da Casa Branca. O governo estadunidense, como principal alvo, chega a ser responsabilizado por atentados terroristas da mesma dimensão, ou ainda maior, que o de 11 de Setembro. Imagem errônea, pois comparar o momento de uma guerra, como a que foi cenário no ataque de Hiroshima, com o de um ataque terrorista imprevisível não é uma forma ponderada de análise.
Ponderação é uma palavra que não consta em seus livros, pois se por um lado Arbex acusa a todos de parcialidade e de terem uma visão unilateral, ele mesmo não analisa objetivamente fato algum e reproduz os mesmo vícios dos jornalistas que ele tanto critica. Suas opiniões figuram em primeira estância em suas obras, mostrando assim apenas o lado que o autor considera correto segundo os próprios critérios.
Arbex compara, critica, julga e condena líderes, nações, jornalistas e órgãos públicos que não estão de acordo com sua visão política e ideológica. Faz uso do mesmo maniqueísmo que combate em relação aos americanos, aplicando de certa forma o eixo do bem e do mal no jornalismo. Nesse caso, seria ele o eixo do bem.
A capacidade de argumentação e o conhecimento do autor são inquestionáveis, levando em consideração seu doutorado em história social pela Universidade de São Paulo(USP) e vasta carreira jornalística. No entanto, Arbex se deixa conduzir por suas apaixonadas convicções que beiram uma religiosidade xiita.


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